Longevidade é estratégia confirmada por jabutis

Conforlab em novo ciclo de crescimento, com sua nova sede e projetos fora do país
Por Léa Lobo
Em entrevista à InfraFM, o CEO Leonardo Cozac detalha a fase de ascensão da Conforlab: liderança setorial na Abrava, operação recém-aberta nos Estados Unidos e um case pedagógico de qualidade do ar na nova sede da empresa, com transparência em tempo real e custo enxuto. Como sempre, Cozac vem defendendo uma agenda prática para o setor: qualidade do ar interno (IAQ) e qualidade da água tratadas como pilares operacionais, não “extras” de projeto. A equipe comprova na própria casa: implantou um sistema central com renovação de ar, monitoramento em tempo real e processos de manutenção e compliance que cabem no bolso.
Liderança setorial e presença global
Ao assumir a presidência do Conselho da Abrava, Cozac levou para a associação o mesmo mantra de gestão que prega na empresa: decisão colegiada, processos claros e retomada de players estratégicos. “Associação não tem dono. Tem agenda, e agenda se decide junto”, afirma. A rotina inclui comitês semanais de alinhamento entre diretoria e vice-presidências e uma pauta objetiva: reconstruir pontes com fabricantes, destravar processos e colocar IAQ, Segurança alimentar e Descarnonização no centro da discussão técnica.
Em setembro, Cozac também marca presença em um evento histórico: o lançamento mundial “Health Indoor Air: a Global Call to Action”, promovido pela ONU em Nova York, em parceria com a OMS. “Sonhava com esse dia há anos. Quando a liderança vem de cima, governos e empresas param de hesitar. IAQ deixa de ser opcional e passa a ser política pública”, explica. Para ele, estar no encontro é estratégico não apenas para acompanhar a movimentação global, mas para reforçar o papel do Brasil como referência na agenda.
Cozac defende que IAQ volte ao topo das agendas de políticas públicas e certificações, ao lado do tratamento da água de consumo humano “do cavalete para dentro”, responsabilidade dos empreendimentos. A combinação filtragem + renovação + manutenção é, segundo ele, o padrão mínimo aceitável para ambientes de alta ocupação. “Não é luxo: é gestão de risco e desempenho. ”

| Foto: Divulgação |
Expansão internacional
Depois de um namoro antigo com o mercado americano, a Conforlab selou parceria em Atlanta (Geórgia), assumindo participação na Superior Air, operação enxuta de HVAC e cerca de 40 contratos. “Ter esta experiência, é jogar a Champions League: competir no ambiente mais exigente, sem atalho e com visão de longo prazo”, resume Cozac. A presença é híbrida, gestor brasileiro dedicado no local e idas frequentes do CEO a cada 2–3 meses.
Case pedagógico de IAQ no novo escritório
Para “ensinar fazendo”, a Conforlab está ajustando o novo escritório em laboratório vivo de qualidade do ar e da água.
Para a mudança, uma modernização foi necessária. O prédio operava com cerca de 30 splits, sem renovação de ar e sem filtragem adequada, com conforto térmico, mas o mesmo ar em recirculação. A solução implantada:
– Sistema central projetado com a Fundamentar (SP) e duas casas de máquinas na área técnica lateral;
– Capacidade: 02 unidades Midea Carrier de 15 TRs cada atendendo o Térreo e 1º andar;
– Dutos dedicados de insuflação e retorno fornecidos pela Refrin fechando o ciclo corretamente;
– Renovação de ar da Sicflux: captação externa com dois filtros de boa eficiência; troca total a cada ~10 minutos;
– Sanitização: lâmpadas UV-C na bandeja/serpentina e instalação de equipamento de H₂O₂ (peróxido de hidrogênio) da Ecoquest para reforço — uso adicional, não obrigatório;
– Manutenção/segurança: UV-C com travas (desligar para inspeção); filtros trimestrais (ou mensais em período de maior poluição);
– Comissionamento do sistema realizado pela Anthares.
“Pedir 5% de desconto cortando renovação do ar e filtragem é economia burra: alivia a conta de energia e cobra caro em saúde e produtividade”, dispara o CEO.
Cultura, operação e gente
A Conforlab estrutura a operação com eficiência e pertencimento. São cerca de 140 profissionais (50 no prédio, 20 no laboratório, ~70 em campo). Técnicos nas principais capitais do pais realizam coletas e enviam amostras para análise. O escritório tem salas moduláveis para 25–30 pessoas e é usado para treinos práticos de inspeção e limpeza. No dia a dia, recursos compartilhados reduzem custo e “tralha”. E há espaço para a comunidade: churrasco mensal com clientes e amigos. Um detalhe que rende boas conversas: dois jabutis circulam pelo jardim, “nos lembram que longevidade é estratégia, não acaso”.
Vida corporativa sem surto de agenda
Como conciliar Brasil, Abrava, EUA e agora ONU? Agenda com buracos intencionais. Sexta-feira à tarde, nada de reuniões: é revisão da semana e planejamento da próxima. Reuniões de 1h viram 30 minutos, quando possível. E delegação sem culpa. “Agenda cheia não é status; é desorganização. Em São Paulo, trânsito é dado: saia 30 minutos antes e ganhe tempo para responder o que importa”, brinca.
